quarta-feira, agosto 26, 2009

“Cuido que as festas são os momentos mais difíceis da vida dos párocos”

António José Oliveira Morais é o actual arcipreste de Gouveia e pároco de Gouveia, Folgosinho, Freixo da Serra, Melo e Nabais. Nasceu em Cativelos, a 12 de Fevereiro de 1941 e foi ordenado padre a 1 de Agosto de 1965.Faz parte da Comissão Diocesana de Música sacra e do Conselho Presbiteral e foi o Assistente Diocesano do Movimento Vida Ascendente.

A Guarda: Quem é António José Oliveira Morais?

António Morais: Quem sou eu para ser entrevistado? E ainda por cima para um jornal diocesano! Não sou nada. Há outros com melhores currículos do que eu, com melhores folhas de serviço, com mais sabedoria, com mais realizações e êxitos pastorais, com muito mais santidade. Por que há-de ser entrevistado um pobre padre normal que só diz coisas anormais? Tenho mesmo que responder?
Bom, sou uma pessoa normal, que nasceu em Cativelos a 12 de Fevereiro de 1941, filho de família pobre: o pai, inválido e chineleiro e a mãe com a mesma profissão do pai, mas com a tarefa de amanhar os poucos bocaditos de terra que possuíam e do qual tiravam o necessário para a alimentação. Sendo o mais velho de quatro irmãos – dois irmãos e duas imãs, entrou para o Seminário do Fundão em 1953 e ordenou-se a 1 de Agosto de 1965. O que sou como padre? Repito que sou um padre normalíssimo, com capacidades e incapacidades, luzes e sombras como os padres normais – os normais - porque há alguns que não são normais – que têm e fazem sempre muito mais que os normais. Mas é assim que eu sou e gosto de ser assim. Além do mais, é sabido que gosto de algumas coisas que podem parecer estranhas: música – continuo a estudar – pesca, montanha, folclore… Pois, Folclore. Trabalho com a Federação. Sei que sou criticado por causa disso. Não me causa abalo nenhum, porque quem critica não entende que é uma forma de me aproximar, primeiro da terra mãe e depois das pessoas. E sem terra mãe e sem pessoas é-se o quê? Além do mais, faz-se mais bem do que se pensa.

A Guarda: Que balanço faz da sua vida de Pároco?

António Morais: Com êxitos e fracassos, fui aprendendo que o essencial é semear. E isso faço insistentemente e em tudo onde meto a mão. Resultados da sementeira? Mesmo que me tenha custado, aprendi também que a colheita não será comigo. A mim compete semear e não colher. Não é fácil, mas é assim. Se me perguntarem se quero continuar a ser pároco, respondo que não me vejo como padre, sem ser pároco, nem que seja de uma só paróquia com meia dúzia de idosos, embora me dê gana, por vezes, de pegar na trouxa e ir embora, sobretudo quando se quer e ninguém responde. Está-se como presença que acolhe e serve. Posso nada mais fazer, mas isso faço. Aliás aprendi assim do Mestre.
Se voltasse ao princípio, mesmo com tudo o que de muito mau me aconteceu, recomeçaria, sem a menor hesitação.

A Guarda: Como vê o envolvimento dos leigos na vida da Paróquia?

António Morais: O envolvimento dos leigos é escasso. Há todo um peso de história passada do qual é muito difícil libertar as pessoas. O leigo que ouve, cala, não participa porque tem medo, o leigo agarrado a práticas do passado e que olha desconfiado para um modo novo de fazer as coisas, é o normal. É essencial que o leigo esteja envolvido nas paróquias. Sem eles não há pastoral que valha. Como eu os envolvi? Fortemente na Caritas, na Liturgia e na Catequese de Adultos. Começo a envolvê-los na preparação de Baptismos. Ajudo, estou atento, mas têm toda a liberdade. Ou são responsáveis ou não são. Considero isso essencial. Gostava de trabalhar mais com eles, mas torna-se cada vez mais difícil. O envolvimento na Catequese é mais difícil. Cada vez se torna mais difícil recrutar catequistas. Na Catequese de adultos, partilho o que sei e posso dar, sem pressões nem moralismos balofos. Aliás o que pretendo com a Catequese de adultos que iniciei antes de 2000, é que eles se tornem verdadeiramente adultos e livres como cristãos, que caminhem pelo seu pé, sem necessidade contínua de muletas. Não partilho de uma certa opinião que anda por aí veiculada: “O leigo, por si mesmo não tem capacidade de encontrar a verdade. Precisa ser dirigido”. Isto vem num livrinho que é dirigido a leigos e que se chama Caminho. Há também um grupo comprometido na Vida Ascendente, que faz também um trabalho interessante de catequese de adultos.

A Guarda: As Festas religiosas são, ou não, um momento importante na vida das paróquias?

António Morais: As festas religiosas são um momento falsamente importante na vida cristã das paróquias. Tudo se faz à sombra da “santa” ou do “santo”. Mas do santo só se faz caso na medida em que se pode usar para poder obter algum dinheiro dos festeiros e turistas que vão à festa, ou para através do “negócio” da promessa, obter dele(a), algum favor. Depois, não se quer saber mais dele. Com isto e outras coisas, por mais que se tente, não se consegue destruir o desvirtuamento da festa. Ou seja. O que na festa cristã é mais importante para o povo é a procissão – procissões. A missa até pode não existir, contanto que a procissão se faça. Depois as promessas. É muito difícil lutar contra a dispersão. A concentração na Eucaristia é de muito pouca gente. Muita da que lá vai é para cumprir promessas e não por convicção de fé, ou pela Eucaristia. A grande preocupação são os andores e a procissão. O resto pouco importa. A agravar a situação há a nova realidade da festa. Nas paróquias rurais, o que é diversão, não é tanto feito pelos habitantes da terra, mas pelos que vão de fora, o que vira tudo do avesso, até porque a diversão nada tem que ver com a tradição. É diversão importada e de muito pouca qualidade. No momento, cuido que as festas são os momentos mais difíceis da vida dos párocos.

A Guarda: Que análise faz sobre a falta de padres na Diocese da Guarda?

António Morais: Não é fácil responder. Eu vejo o problema com algumas interrogações: 1 - Que tipo de padre se quer para a Diocese? Um padre regressado ao ante-Vaticano II com ares de poder, prestígio, estranhos atafais e subserviências, ou um padre que se libertou da folhada inútil que só o afasta das pessoas e capaz de caminhar pelo seu pé, sem subserviências e aberto ao serviço, tal como Jesus Cristo o ensinou? Quando a seguir ao Vaticano II se mudou a equipa do Seminário, para que a nova equipa pudesse limpar os miasmas do mau pensamento e da má orientação que a equipa cessante lá deixara, o resultado foram 12 –(14) anos sem ordenações. Suspeito que com o que está a acontecer, venhamos a cair num novo interregno sem padres. O futuro dirá.
2- A falta de padres aflige e sobrecarrega os que ainda se vão aguentando, além de os esgotar, até porque se vão criando exigências novas a que se chamam novas formas de pastoral. São mesmo? Não creio, até porque elas não têm em conta a crescente desertificação das comunidades rurais.
3 – Talvez seja bom que ainda escasseiem mais os padres, para que as comunidades cristãs se convençam que têm mesmo que se assumir como comunidades verdadeiramente responsáveis e tomem conta de si mesmas.
Acho que não tem que se ter medo de que as rédeas nos fujam das mãos. É mesmo urgente que algumas rédeas nos fujam mesmo das mãos.
Fonte: A Guarda

segunda-feira, julho 20, 2009

O jornal Amigo da Verdade realça a missa solene em Celorico da Beira

No passado Domingo, 12 de Julho, as freguesias que constituem a unidade pastoral de Celorico da Beira fizeram, no pavilhão do mercado, o pleno do concelho e do arciprestado: se mais cristãos houvera lá estariam!
Que estranho acontecimento concitava tamanha multidão no mercado de Celorico? Nada menos que a Missa solene do recém-ordenado sacerdote P. Hugo Alexandre Martins. Horas antes, o corropio era enorme para o local da cerimónia, com G.N.R. tolerante para carros estacionados em qualquer parte, longa e bela passadeira de flores entre a capela do Calvário e o pavilhão. A cruz alçada, seguida de bandeiras e do cortejo presbiteral que incorporava o neo-presbítero encabeçava a procissão, calcando desenhos de flores e de verdura. Cantava-se “Bendito o que vem em nome do Senhor” e, já na entrada do mercado, a antífona da Missa solene: “À sombra das vossa asas me refugio, Senhor!” E sombra era o que mais se procurava, no braseiro que era já o pavilhão, a ferver de cristãos cantantes. Quantos mil estariam ali? A lusalite do mercado, forrada de panos brancos, amarelos e azuis, não deixava que o sol da tarde quentíssima nos queimasse a pele, mas o aperto dos corpos suados e o entusiasmo da multidão em festa faziam aumentar constantemente o calor: calor de corpos, calor de almas!
Com a solenidade que a liturgia prescreve, presbíteros subiram ao grande estrado: ali fora plantado o altar onde P. Hugo ia celebrar a sua Missa solene, juntamente com o P. Celso, que em Celorico fizera estágio pastoral, e com os numerosos sacerdotes concelebrantes. Já o incenso se queimava no turíbulo, para a incensação, já a água lustral se derramava sobre os fiéis radiosos, para a aspersão.
Glória a Deus nas alturas, cantou o P. Hugo. O coro prosseguia o hino ambrosiano; a multidão secundava: glória a Deus nas alturas! Familiares do P. Hugo vieram ao ambão fazer as leituras; um diácono permanente leu o Evangelho. Antes, o coro cantara vibrante aleluia que secundou, terminada a proclamação. P. Hugo, visivelmente emocionado, fez, sentado, a sua homilia.
O ofertório foi soleníssimo; veio lá do fundo do pavilhão o cortejo: gentilezas, muitas, para o neo-presbítero; os pais do Hugo traziam a patena e o cálice. E a Eucaristia lá foi prosseguindo, com o coro, sempre animado, a cantar “A messe é grande” e “Santo, santo, santo”. O rito da paz, proclamado pela voz do diácono permanente, traduziu-se em abraços sentidos entre uma assembleia reunida num só coração e numa só alma. P. Hugo desceu do altar para o afecto partilhado com pai e mãe e irmãos. O “Cordeiro de Deus” pôs termo aos abraços.
A comunhão foi, depois, um dos momentos mais altos desta Eucaristia. Felizmente tudo foi previsto: mobilizaram-se sacerdotes, diáconos, ministros extraordinários; familiares e ministros do altar comungaram sob as duas espécies. O coro cantava o refrão litúrgico: “As aves do Céu procuram abrigo e as andorinhas um ninho para os seus filhinhos... Junto dos vossos altares também eu me aninho, meu Deus e meu Rei, Senhor meu amigo!” Dentro em pouco, já todo o povo metia a garganta na melodia fácil: “Meu Deus e meu Rei, Senhor meu amigo!”
A Eucaristia aproximava-se do termo, mas ainda estávamos para viver alguns dos momentos mais altos desta liturgia. P. José Manuel Martins, pároco de Celorico, anunciou, do ambão, que tinha estado de folga, neste Domingo, porque, em vez de ir aos povos celebrar a Eucaristia, foram os povos que vieram aqui participar nesta celebração. Revelou, depois, as suas surpresas. P. Martins prepara as coisas de longe. Pensou, e bem, que a ordenação de um filho da terra era uma ocasião propícia para aprofundar o ministério sacerdotal. Mobilizou as catequeses do arciprestado: crianças e catequistas foram reflectindo e exprimindo, à sua maneira, o que era para eles o sacerdote. Escreveram testemunhos; desenharam imagens. Tudo coligido e encadernado em duas belas pastas, padre Martins ofereceu-as aos Padres Hugo e Celso. Querendo dar também algo pessoal, P. Martins começou em Maio a preparar-se para a ordenação deste dois padres, Hugo e Celso, com meditações sobre a vocação e o ministério sacerdotais. Reuniu em dois pequenos volumes as suas reflexões e ofereceu-as, com grande aclamação da assembleia, aos dois neo-sacerdotes. Foram a sua prenda. O coro rompeu a cantar o lema do P. Hugo: “Alegrai-vos sempre no Senhor!” .
P. Celso, que, há oito dias, celebrara no Barco a sua Missa Solene e agora concelebrava a-par do P. Hugo, sentiu bem como tem sido apreciada a sua acção pastoral em Celorico; recebeu igualmente prendas e muitas palmas. Seguiu-se o beija-mão e P. Hugo e P. Celso aceitaram, comovidos, o testemunho do carinho de toda esta grande igreja arciprestal.
Seguiu-se um lanche-convívio que decorreu com grande animação e verdadeiro sentido eclesial.

sábado, julho 18, 2009

Mordomos da Festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso: 2010

Ontem foram nomeados os mordomos para a festa religiosa de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Agosto de 2010:


António dos Santos
Dulce Rosa
Ascenção Leitão Paiva
Isabel Marques
Marco Paulo Rosa
Maria Fernanda Gomes
Ricardo Marques
Samuel Cabral
Teresa Carrolo
Desejo que os mordomos agora nomeados assumam os seus compromissos e trabalhem apenas e só com o intuito de louvar e honrar Nossa Senhora.

"Trata-se de repor a verdade" - Marcos Gonçalves Vigário judicial da diocese do Funchal

O que significa conceder nulidade a um casamento?

Defender a verdade e realizar a justiça acerca do vínculo e das pessoas. A Igreja não anula casamentos, mas declara a sua nulidade através da instrução de um processo. Considera-se o matrimónio inválido por uma razão que tornou aquele vínculo inexistente e, por isso, as partes estão livres para celebrar um novo casamento. Trata- -se, assim, de repor a verdade.

Como é que a Igreja tem poder para dizer que um "contrato" feito entre duas pessoas e Deus não é válido?


Em nome de Deus. Assim começam as sentenças. Os tribunais eclesiásticos agem como instrumentos de justiça, de verdade na caridade e realizam a sua função num ordenamento canónico. Quando se introduz um processo suspeita-se acerca do contrato realizado. O tribunal estuda o matrimónio. Recolhe provas apresentadas, depoimentos das partes, das testemunhas, documentos e perícias e verifica se existiu algo que viciou o consentimento ou se houve alguma incapacidade das partes.

Quais os pressupostos que permitem dizer que não houve casamento?

Os casamentos são nulos pela existência de um vício no consentimento ou pela incapacidade das partes. Ou pela falta da forma canónica ou a presença de um impedimento matrimonial. O que faz o contrato matrimonial é a vontade das partes. Se existir um vício no consentimento, ou se estamos diante de pessoa incapaz de o contrair, há um matrimónio inválido.

A Igreja não divulga muito esta situação por ter receio que ela se generalize?

Poucas pessoas conhecem ou julgam que são processos demorados e caros. Os párocos deverão enviar para o tribunal casos que lhes passem pelas mãos.

O que é exigido para voltar a casar?

Depende. As sentenças podem proibir o casamento a uma ou ambas as partes ou requerer a consulta prévia do Ordinário. Noutros casos, onde não existem incapacidades presentes, as pessoas entram na preparação normal.

Acha que há, por aí, muitos casamentos nulos sem as pessoas saberem?

Na dúvida todos os matrimónios são válidos. "Dá-me os factos e eu dou-te o direito" - dizia-me sempre um professor.
Fonte: DN

terça-feira, julho 07, 2009

Com CRISTO venceremos

Letra original do Pe. Celso. Cântico de Comunhão da Missa solene.

segunda-feira, julho 06, 2009

sexta-feira, julho 03, 2009

No terceiro dia fui celebrar à Igreja Mãe

A Sé Catedral reveste-se, de um sentido eclesiologico profundo, para todos os Diocesanos e em especial para os Padres.
Foi a primeira fez que presidi à Celebração da Eucaristia sem nenhum sacerdote ao meu lado. Senhor que eu consiga sempre estar presente na Sé Catedral com o nosso Presbitério…