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quinta-feira, maio 12, 2011

Desempregada abriu loja de produtos típicos da região

Vera Martins, 30 anos, ex-trabalhadora da fábrica Delphi, abriu uma loja de produtos regionais e de artesanato, na Rua Tenente Valadim, n.º 50 R/C - Direito, na cidade da Guarda.
A loja «Lembranças da Terra» abriu as portas no dia 16 de Abril, após a desempregada, que foi despedida da Delphi no dia 19 de Abril de 2010, ter optado pelo auto-emprego em vez de ter ficado dependente do subsídio de desemprego.
“Decidi arriscar. Sempre estive ligada ao artesanato. A minha mãe fazia renda e eu bordados em ponto cruz. Quando fiquei desempregada, surgiu logo a ideia de abrir uma loja para vender as peças de artesanato que vou fazendo e para promover os produtos do distrito, que são muito bons. Assim que sai da fábrica comecei logo a tratar das coisas para abrir a loja”, explicou a comerciante, que abriu o estabelecimento com o apoio do Instituto de Emprego e Formação Profissional. “Se não arriscasse, agora estava em casa, sem receber o subsídio de desemprego”, admitiu.
Apesar da loja estar a funcionar há pouco tempo, Vera Martins acredita no sucesso do projecto empresarial. “Embora o tempo ainda seja pouco e a crise também seja alguma, as pessoas vão sempre comprando alguma coisa. O negócio vai indo aos poucos. Tenho dias bons e outros menos bons. Não vale a pena desanimar”, disse, referindo que na quadra da Páscoa já atendeu “pessoas da Guarda, muitos espanhóis e muitas pessoas de Lisboa que vieram à cidade”. “Já tenho casos de pessoas que levaram artigos e voltaram mais tarde. Posso dizer-lhe que os requeijões estão a ter uma procura muito grande”, disse, com satisfação.
A «Lembranças da Terra» tem o forte nos produtos regionais e no artesanato, mas também possui uma secção de gomas e de guloseimas, criada a pensar nos mais novos.
A comerciante vende diariamente pão de uma padaria de Póvoa do Concelho (Trancoso), produtos da Casa da Prisca, de Trancoso (desde doces a enchidos), queijos de Aguiar da Beira, Trancoso, Vila Franca das Naves e Seia, requeijão, enchidos de uma salsicharia de Reigada (Figueira de Castelo Rodrigo), bolos, sacos de frutos secos (amêndoas, nozes, avelãs e figos secos) com a designação da loja, vinhos de Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Franca das Naves e Pinhel, aguardente, espumante e vinho licoroso da Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo. Também vende recordações de localidades como Barca D’Alva (Figueira de Castelo Rodrigo), Guarda, Trancoso, Celorico da Beira e Linhares da Beira. “Tirei as fotografias e mandei fazer os azulejos”, contou ao Jornal A Guarda.
No artesanato, Vera Martins comercializa uma grande variedade de artigos que saem das suas mãos: aventais e panos de cozinha bordados, toalhas, panos de renda, artigos para bebé, artigos feitos em rede (cestas e ramos de flores), caixas de madeira com aplicações em ponto de cruz, quadros de ponto de cruz, entre outros. Adiantou que, por encomenda, também faz lembranças para casamentos, baptizados e aniversários.
A pensar no Dia da Mãe, a comerciante disponibilizou vários artigos próprios para a data. Da oferta fizeram parte um quadro em ponto cruz (com a quadra “Com 3 letrinhas apenas/se escreve a palavra mãe/é das palavras pequenas/a maior que o Mundo tem”), terços feitos em linha e pequenas almofadas, corações e porta lenços em renda.
A jovem comerciante confessa que gostava de fazer da loja “uma montra” de produtos típicos dos 14 concelhos do distrito da Guarda. “Se não formos nós a promover os nossos produtos, quem é que os vai promover?”, questiona.
Garante que na sua loja a simpatia e a qualidade dos produtos estão “acima de tudo”. “Quando vou a um sítio, se a pessoa não mostrar simpatia, nunca mais lá vou”, confessa.
Quanto à qualidade dos produtos, assegura que muitos deles passaram a ser vendidos após os ter provado. “Foi o que fiz com os enchidos da Reigada. Primeiro provei-os. Gostei e decidi então colocá-los à venda. O pão de Póvoa do Concelho também já conhecia”. Já quanto aos vinhos, contou que não os provou mas pediu “informações” a quem sabia do assunto.

in Jornal "A Guarda"

domingo, novembro 29, 2009

Pe. Ivan Hudz, colega da UCP promove uma homenagem aos milhões de ucranianos mortos na "Grande Fome»

A Capelania Ucraniana de Rito Bizantino promove a realização, no dia 29 de Novembro, um memorial religioso que visa prestar homenagem a todos os nossos compatriotas que pereceram na Grande Fome ucraniana de 1932-1933.

“A iniciativa é de rezar pelas vítimas da Grande Fome que pereceram inocentemente às mãos dum regime injusto e totalitário”, refere o Pe. Ivan Hudz, coordenador da referida Capelania.

O objectivo é unir os cristãos de Portugal e da Ucrânia “numa justa homenagem não só a todas as vítimas dessa tragédia histórica, como também lembrar os que hoje ainda sofrem qualquer espécie de perseguição e carência”.

Estima-se que cerca de 7 milhões de ucranianos tenham morrido por ordem de Estaline, que desapossou as famílias agrárias. Aldeias e vilas foram riscadas do mapa.

O Pe. Hudz deixa o convite para que nas comunidades paroquiais das várias Dioceses do nosso país seja promovido “um breve momento de oração que reflicta o comum propósito das Igrejas de Portugal e da Ucrânia para estarmos unidos na denúncia das opressões e injustiças do nosso tempo e, assim, prestarmos homenagem a todas as vítimas que nelas perecem, as quais são simbolizadas, neste preciso dia, na tragédia da Grande Fome de 1932-1933”.

Vamos prestar homenagem aos Ucranianos - uns só porque tinham terras que sabiam, com suor e dedicação, trabalhar e delas tirar o pão de cada dia. Quando temos entre nós uma grande comunidade de Ucranianos, não deixaremos de, neste dia, que neste ano é Domingo, de nas nossas Eucaristias fazer um momento de oração por aqueles que morreram na Ucrânia na Grande Fome e por todos os que ainda hoje continuam a ser vítimas da injustiça e da violência.

Em 2008, 75.º aniversário da Holodomor, Bento XVI deixou votos de que “nunca mais ordenamento político algum possa, em nome de uma ideologia, negar os direitos da pessoa humana, a sua liberdade e dignidade”, garantindo a sua “oração por todas as vítimas inocentes daquela tragédia”.

Fonte: Agência Ecclesia

quarta-feira, agosto 26, 2009

“Cuido que as festas são os momentos mais difíceis da vida dos párocos”

António José Oliveira Morais é o actual arcipreste de Gouveia e pároco de Gouveia, Folgosinho, Freixo da Serra, Melo e Nabais. Nasceu em Cativelos, a 12 de Fevereiro de 1941 e foi ordenado padre a 1 de Agosto de 1965.Faz parte da Comissão Diocesana de Música sacra e do Conselho Presbiteral e foi o Assistente Diocesano do Movimento Vida Ascendente.

A Guarda: Quem é António José Oliveira Morais?

António Morais: Quem sou eu para ser entrevistado? E ainda por cima para um jornal diocesano! Não sou nada. Há outros com melhores currículos do que eu, com melhores folhas de serviço, com mais sabedoria, com mais realizações e êxitos pastorais, com muito mais santidade. Por que há-de ser entrevistado um pobre padre normal que só diz coisas anormais? Tenho mesmo que responder?
Bom, sou uma pessoa normal, que nasceu em Cativelos a 12 de Fevereiro de 1941, filho de família pobre: o pai, inválido e chineleiro e a mãe com a mesma profissão do pai, mas com a tarefa de amanhar os poucos bocaditos de terra que possuíam e do qual tiravam o necessário para a alimentação. Sendo o mais velho de quatro irmãos – dois irmãos e duas imãs, entrou para o Seminário do Fundão em 1953 e ordenou-se a 1 de Agosto de 1965. O que sou como padre? Repito que sou um padre normalíssimo, com capacidades e incapacidades, luzes e sombras como os padres normais – os normais - porque há alguns que não são normais – que têm e fazem sempre muito mais que os normais. Mas é assim que eu sou e gosto de ser assim. Além do mais, é sabido que gosto de algumas coisas que podem parecer estranhas: música – continuo a estudar – pesca, montanha, folclore… Pois, Folclore. Trabalho com a Federação. Sei que sou criticado por causa disso. Não me causa abalo nenhum, porque quem critica não entende que é uma forma de me aproximar, primeiro da terra mãe e depois das pessoas. E sem terra mãe e sem pessoas é-se o quê? Além do mais, faz-se mais bem do que se pensa.

A Guarda: Que balanço faz da sua vida de Pároco?

António Morais: Com êxitos e fracassos, fui aprendendo que o essencial é semear. E isso faço insistentemente e em tudo onde meto a mão. Resultados da sementeira? Mesmo que me tenha custado, aprendi também que a colheita não será comigo. A mim compete semear e não colher. Não é fácil, mas é assim. Se me perguntarem se quero continuar a ser pároco, respondo que não me vejo como padre, sem ser pároco, nem que seja de uma só paróquia com meia dúzia de idosos, embora me dê gana, por vezes, de pegar na trouxa e ir embora, sobretudo quando se quer e ninguém responde. Está-se como presença que acolhe e serve. Posso nada mais fazer, mas isso faço. Aliás aprendi assim do Mestre.
Se voltasse ao princípio, mesmo com tudo o que de muito mau me aconteceu, recomeçaria, sem a menor hesitação.

A Guarda: Como vê o envolvimento dos leigos na vida da Paróquia?

António Morais: O envolvimento dos leigos é escasso. Há todo um peso de história passada do qual é muito difícil libertar as pessoas. O leigo que ouve, cala, não participa porque tem medo, o leigo agarrado a práticas do passado e que olha desconfiado para um modo novo de fazer as coisas, é o normal. É essencial que o leigo esteja envolvido nas paróquias. Sem eles não há pastoral que valha. Como eu os envolvi? Fortemente na Caritas, na Liturgia e na Catequese de Adultos. Começo a envolvê-los na preparação de Baptismos. Ajudo, estou atento, mas têm toda a liberdade. Ou são responsáveis ou não são. Considero isso essencial. Gostava de trabalhar mais com eles, mas torna-se cada vez mais difícil. O envolvimento na Catequese é mais difícil. Cada vez se torna mais difícil recrutar catequistas. Na Catequese de adultos, partilho o que sei e posso dar, sem pressões nem moralismos balofos. Aliás o que pretendo com a Catequese de adultos que iniciei antes de 2000, é que eles se tornem verdadeiramente adultos e livres como cristãos, que caminhem pelo seu pé, sem necessidade contínua de muletas. Não partilho de uma certa opinião que anda por aí veiculada: “O leigo, por si mesmo não tem capacidade de encontrar a verdade. Precisa ser dirigido”. Isto vem num livrinho que é dirigido a leigos e que se chama Caminho. Há também um grupo comprometido na Vida Ascendente, que faz também um trabalho interessante de catequese de adultos.

A Guarda: As Festas religiosas são, ou não, um momento importante na vida das paróquias?

António Morais: As festas religiosas são um momento falsamente importante na vida cristã das paróquias. Tudo se faz à sombra da “santa” ou do “santo”. Mas do santo só se faz caso na medida em que se pode usar para poder obter algum dinheiro dos festeiros e turistas que vão à festa, ou para através do “negócio” da promessa, obter dele(a), algum favor. Depois, não se quer saber mais dele. Com isto e outras coisas, por mais que se tente, não se consegue destruir o desvirtuamento da festa. Ou seja. O que na festa cristã é mais importante para o povo é a procissão – procissões. A missa até pode não existir, contanto que a procissão se faça. Depois as promessas. É muito difícil lutar contra a dispersão. A concentração na Eucaristia é de muito pouca gente. Muita da que lá vai é para cumprir promessas e não por convicção de fé, ou pela Eucaristia. A grande preocupação são os andores e a procissão. O resto pouco importa. A agravar a situação há a nova realidade da festa. Nas paróquias rurais, o que é diversão, não é tanto feito pelos habitantes da terra, mas pelos que vão de fora, o que vira tudo do avesso, até porque a diversão nada tem que ver com a tradição. É diversão importada e de muito pouca qualidade. No momento, cuido que as festas são os momentos mais difíceis da vida dos párocos.

A Guarda: Que análise faz sobre a falta de padres na Diocese da Guarda?

António Morais: Não é fácil responder. Eu vejo o problema com algumas interrogações: 1 - Que tipo de padre se quer para a Diocese? Um padre regressado ao ante-Vaticano II com ares de poder, prestígio, estranhos atafais e subserviências, ou um padre que se libertou da folhada inútil que só o afasta das pessoas e capaz de caminhar pelo seu pé, sem subserviências e aberto ao serviço, tal como Jesus Cristo o ensinou? Quando a seguir ao Vaticano II se mudou a equipa do Seminário, para que a nova equipa pudesse limpar os miasmas do mau pensamento e da má orientação que a equipa cessante lá deixara, o resultado foram 12 –(14) anos sem ordenações. Suspeito que com o que está a acontecer, venhamos a cair num novo interregno sem padres. O futuro dirá.
2- A falta de padres aflige e sobrecarrega os que ainda se vão aguentando, além de os esgotar, até porque se vão criando exigências novas a que se chamam novas formas de pastoral. São mesmo? Não creio, até porque elas não têm em conta a crescente desertificação das comunidades rurais.
3 – Talvez seja bom que ainda escasseiem mais os padres, para que as comunidades cristãs se convençam que têm mesmo que se assumir como comunidades verdadeiramente responsáveis e tomem conta de si mesmas.
Acho que não tem que se ter medo de que as rédeas nos fujam das mãos. É mesmo urgente que algumas rédeas nos fujam mesmo das mãos.
Fonte: A Guarda

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Bispo da Guarda deixa uma interrogação aos crismados: «Que fazer depois do Crisma?»

Nos fins-de-semana de Janeiro, D. Manuel Felício encontra-se com os crismados no ano anterior. Depois de constatar que muitos jovens depois de receberem este sacramento da iniciação cristã «fogem», o bispo da Guarda “não quer que eles fujam”.
«Que fazer depois do Crisma?» é a questão que D. Manuel Felício está a propor aos cerca 70% dos jovens que respondem à sua convocatória. Em 2008, D. Manuel Felício crismou cerca de 1000 jovens. “Começamos por indicar o caminho do Departamento da pastoral juvenil para que a formação não seja interrompida”.

Os jovens são presenteados com palavras de incentivo de D. Manuel Felício, testemunhos de outros jovens e conhecimento de percursos de fé que possam concretizar. “A vivência da fé tem o seu suporte comunitário, sem a qual não é possível andar”.

A preparação para este sacramento e o dia do Crisma está cheia de motivação, mas “depois vem a rotina da vida” por isso mesmo “temos que lembrar aos jovens os compromissos assumidos”.
Fonte: agência ecclesia