quinta-feira, dezembro 17, 2009

A Agência Ecclesia divulga o projecto "Fazenda da Esperança" em Portugal




Projecto internacional de recuperação de toxicodependentes chega a Portugal
«Fazenda da Esperança» conta com o apoio da Diocese da Guarda, da Câmara de Celorico da Beira e da Fundação AIS
O Projecto internacional «Fazendas da Esperança», de recuperação de pessoas dependentes de drogas e álcool, vai chegar a Portugal. A iniciativa é apresentada esta Sexta-feira, 18 de Dezembro, no Centro Pastoral D. João de Oliveira Matos, em Celorico da Beira.
Nascido há 24 anos, e com mais de 65 centros localizados em países como Brasil, Alemanha, Argentina, México, Paraguai, Rússia, Filipinas, Moçambique, a «Fazenda da Esperança» é uma comunidade católica que visa a recuperação dos mais variados tipos de dependência, através do trabalho, vida comunitária e espiritualidade.
Aberto a pessoas de todas as religiões ou sem religião alguma, o tratamento dura um ano e quem a ele recorre tem assistência básica, sendo viabilizada a sua permanência na entidade.
Com o apoio da Diocese da Guarda, da Câmara Municipal de Celorico da Beira, da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre e de particulares, este projecto dá agora os primeiros passos em Portugal, estando prevista a construção da primeira casa de acolhimento no Concelho de Celorico da Beira, revela um comunicado enviado à Agência ECCLESIA pela Diocese.
A apresentação pública deste projecto estará a cargo do Padre Christian Heim, responsável pelas Fazendas da Esperança na Europa. Neste evento, estarão ainda presentes dois voluntários brasileiros que trabalham numa «Fazenda da Esperança» na Alemanha e que irão partilhar a sua experiência.
Em Maio de 2007, no Brasil, Bento XVI visitou a comunidade da Fazenda da Esperança, manifestado o seu “apreço por esta Obra, que tem como alicerce espiritual o carisma de São Francisco e a espiritualidade do Movimento dos Focolares”.
“Mediante uma terapia, que inclui a assistência médica, psicológica e pedagógica, mas também muita oração, trabalho manual e disciplina, são já numerosas as pessoas, sobretudo jovens, que conseguiram livrar-se da dependência química e do álcool e recuperar o sentido da vida”, disse então.


ACOMPANHA O ANDAMENTO DESTE PROJECTO EM:http://fazendadaesperancamacaldochao.blogspot.com/

domingo, novembro 29, 2009

Pe. Ivan Hudz, colega da UCP promove uma homenagem aos milhões de ucranianos mortos na "Grande Fome»

A Capelania Ucraniana de Rito Bizantino promove a realização, no dia 29 de Novembro, um memorial religioso que visa prestar homenagem a todos os nossos compatriotas que pereceram na Grande Fome ucraniana de 1932-1933.

“A iniciativa é de rezar pelas vítimas da Grande Fome que pereceram inocentemente às mãos dum regime injusto e totalitário”, refere o Pe. Ivan Hudz, coordenador da referida Capelania.

O objectivo é unir os cristãos de Portugal e da Ucrânia “numa justa homenagem não só a todas as vítimas dessa tragédia histórica, como também lembrar os que hoje ainda sofrem qualquer espécie de perseguição e carência”.

Estima-se que cerca de 7 milhões de ucranianos tenham morrido por ordem de Estaline, que desapossou as famílias agrárias. Aldeias e vilas foram riscadas do mapa.

O Pe. Hudz deixa o convite para que nas comunidades paroquiais das várias Dioceses do nosso país seja promovido “um breve momento de oração que reflicta o comum propósito das Igrejas de Portugal e da Ucrânia para estarmos unidos na denúncia das opressões e injustiças do nosso tempo e, assim, prestarmos homenagem a todas as vítimas que nelas perecem, as quais são simbolizadas, neste preciso dia, na tragédia da Grande Fome de 1932-1933”.

Vamos prestar homenagem aos Ucranianos - uns só porque tinham terras que sabiam, com suor e dedicação, trabalhar e delas tirar o pão de cada dia. Quando temos entre nós uma grande comunidade de Ucranianos, não deixaremos de, neste dia, que neste ano é Domingo, de nas nossas Eucaristias fazer um momento de oração por aqueles que morreram na Ucrânia na Grande Fome e por todos os que ainda hoje continuam a ser vítimas da injustiça e da violência.

Em 2008, 75.º aniversário da Holodomor, Bento XVI deixou votos de que “nunca mais ordenamento político algum possa, em nome de uma ideologia, negar os direitos da pessoa humana, a sua liberdade e dignidade”, garantindo a sua “oração por todas as vítimas inocentes daquela tragédia”.

Fonte: Agência Ecclesia

domingo, novembro 22, 2009

"Vim a este mundo para dar testemunho da Verdade"

Jesus veio ao mundo dos homens para dar testemunho da verdade de Deus. A verdade de Deus é o amor, pois “Deus é amor”. Sim, Jesus veio a este mundo revelar a verdade do coração de Deus, testemunhar quanto Ele ama os homens e desvendar os seus desígnios a respeito do mundo e da história. O Deus amor sonhou e ama cada homem como seu filho e com todos os homens sonhou e quer formar uma única família.
“Vim para dar testemunho da verdade”:
  • A verdade de que Deus é Pai e ama imensamente o homem e que, por conseguinte, cada homem deve amá-lo com todo o seu coração, deixando “que Ele seja Deus na sua vida”. Dar a Deus a liberdade de ser Deus na sua vida, de manifestar nele todas as potencialidades do seu amor! Caso contrário, o homem não poderá experimentar a grandeza de Deus e nunca O chegará a conhecer verdadeiramente.
  • A verdade de que cada homem é um irmão e que, por isso mesmo, cada um deve amar o seu semelhante como a si mesmo, vendo nele um filho de Deus. Este amor fraterno é, antes de mais, doação e abertura do nosso coração e da nossa vida aos outros filhos de Deus. Depois, amor ao próximo é verdade e autenticidade, humildade e mansidão, justiça e solidariedade, misericórdia e perdão, transparência e pureza de coração e de intenções, unidade e paz.

Jesus, dando testemunho da verdade, torna possível o mundo novo - um mundo que corresponde aos sonhos de Deus e às aspirações dos homens. Na verdade, Jesus veio a este mundo para que o seu reino, que não é deste mundo, transforme o mundo dos homens, ou seja, para que o mundo do dos homens seja também reino de Deus! Um mundo que se constrói segundo a verdade de Deus e em que os homens vivem ao ritmo do coração de Deus. Esse é o mundo em que todos os homens, e não apenas alguns, se podem realizar como pessoas e atingir a sua plenitude humana.

“Tu és rei?” Jesus é rei mas não é como Pilatos. E Pilatos pode estar sossegado porque Jesus não vem para lhe roubar o lugar. Mas vem, isso sim, para lhe ensinar, a ele e aos Pilatos de todos os tempos, que ser rei (governar) é uma missão e o poder deve ser exercido com espírito de serviço, com verdade e amor.

  • O poder não confere a quem o detém o direito de o usar em seu benefício pessoal nem para impor aos outros as suas ideias ou pontos de vista, as suas crenças ou descrenças, os seus valores ou a falta deles. Pelo contrário, quem governa assume o dever de promover e garantir o bem comum de todos os cidadãos.
  • “Mandar” encerra mais deveres do que direitos, realidade ignorada pela maior parte dos que mandam. Muitas vezes, eles esquecem que a legitimidade do cargo não se esgota no facto de terem sido escolhidos para ele, mas que pressupõe também a aceitação das responsabilidades e o cumprimento dos deveres que lhe são inerentes. Quem procura o poder, se o faz por vocação, deve estar mais motivado pelo desejo de fazer bem aos outros do que por conseguir vantagens para si próprio,
  • Infelizmente, em todos os tempos e em todos os regimes políticos, com muita frequência, o poder anda de mãos dadas e convive com a mentira e a hipocrisia, com a arrogância e a arbitrariedade, com a ambição e a vaidade, com a ganância e a corrupção.
  • Infelizmente, muitos governantes usam o poder para atentar contra direitos e valores que deveriam proteger e salvaguardar. É ilegítimo o uso do poder em tais circunstância, mesmo que seja um poder obtido democraticamente.

- É, pois, ilegítimo usar o poder para legislar contra a vida, como no caso do aborto e da eutanásia. A vida humana é anterior e vale mais do que qualquer tipo de poder humano. Por isso mesmo, nenhum poder humano se pode sobrepor à vida humana, decidindo o termo da mesma.

- Usa-se ilegitimamente o poder contra a família, quando se protege e favorece mais o divórcio que o casamento, ou quando se quer dar o estatuto de casamento às uniões de pessoas do mesmo sexo. As pessoas tem direito a ser diferentes, mas não podem, ao mesmo tempo, reivindicar os direitos como se fossem iguais. Ou uma coisa ou outra! É uma questão de justiça e de igualdade!

- Usa-se ilegitimamente o poder, quando os governantes favorecem os interesses dos ricos e dos grandes grupos económicos, em detrimento dos trabalhadores e dos cidadãos comuns, aumentando as desigualdades e as injustiças sociais.

- Abusam do poder aqueles que procuram erradicar, em nome dos direitos de certas minorias, os sinais religiosos dos lugares públicos, como a recente determinação do tribunal europeu que exige a retirada dos crucifixos das escolas italianas. Mas será que os direitos das minorias valem mais do que os direitos das maiorias? Ou, pior ainda, as maiorias, sobretudo se são maiorias cristãs, não têm direitos? Não é legítimo nem aceitável que o fanatismo religioso de alguns ou a descrença de outros roubem a liberdade aos cristãos, como se a liberdade destes valesse menos do que a intolerância daqueles.

- Na mesma linha, abusam do poder aqueles que, em nome de uma laicidade mal entendida, implementam uma educação sem Deus, esquecendo por completo a dimensão espiritual das crianças e dos jovens. Deste modo limitam os seus horizontes existenciais e impedem-nos de um desenvolvimento integral e harmonioso.

Jesus ensina, com o seu exemplo, que ser rei é servir, amando as pessoas ao ponto de se sacrificar e dar a vida por elas. O bem dos cidadãos é que deve motivar e animar toda a acção governativa. Só assim se constrói uma sociedade justa e fraterna, um mundo de amor e de paz.

segunda-feira, novembro 16, 2009

terça-feira, novembro 10, 2009

Semana dos Seminários

De 8 a 15 de Novembro, a Igreja em Portugal celebra a Semana dos Seminários. Sobre este acontecimento, D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, escreve: “Neste ano, que é Ano Sacerdotal, queremos responder aos apelos do Papa Bento XVI, que nos pede a todos, sacerdotes e outros fiéis, que coloquemos como nossa prioridade o esforço por desenvolver a pastoral das vocações sacerdotais”. E acrescenta: “Peço, por isso, também a todas as nossas comunidades que, ao longo desta semana, tomem iniciativas concretas de oração e outras para dar resposta a este apelo do Papa, que é também a urgência que sentimos na nossa Diocese”.
Os ofertórios do dia 15 de Novembro, em todas as assembleias dominicais da Diocese, são para apoiar os seminários.

Nestes lugares sentir-se bem é natural

Mas que lugar lindo! Estas e outras expressões são as que recebemos tanto dos que visitam as Fazendas da Esperança como dos que chegam para lá passar 12 meses de luta para se recuperarem.

Os responsáveis procuram ficar atentos a harmonia das Fazendas, pois é ela que faz com que os recuperantes se sintam bem e aconchegados. “Muitas pessoas ao despedirem-se afirmam ter sentido a presença de Deus nas nossas casas e isso só é possível graças ao esforço dos jovens em manter a comunidade bem arrumada”, afirma frei Hans Stapel, franciscano, fundador da Fazenda da Esperança.
Os jovens recém-chegados, nos primeiros três meses de recuperação, inserem-se no chamado período de triagem, pois nesse período não recebem a visita dos seus familiares e esse é o tempo mais difícil para todos os internos.
Enquanto eles procuram organizar o seu interior desestruturados pelas drogas e álcool também ficam, na maioria das vezes, responsáveis pela harmonia das suas comunidades. Trabalham na jardinagem, nas limpezas dos espaços comuns e são acompanhados mais de perto para se poderem reestruturar.
Mesmo depois de passam por este momento, os recuperantes são orientados a continuar a viver a harmonia nas suas vidas. A limpar a casa de banho das sua casa, a arrumar a cama onde dormem, a lavar bem as roupas que usam...
Muitas vezes os responsáveis, procuram comparar o estado do seu guarda-roupa com o estado em que está a sua vida, buscam cativar os jovens a manter organizadas as obrigações que assumem dentro da comunidade terapêutica.
Reformar as casas, pintar, procurar que fiquem bonitas é a obrigação de todos como também a de procurar conservar o que tem, não usar de forma errada e procurar não interferir de forma negativa onde moram faz parte do dia a dia dos “fazendeiros”.
No primeiro momento é um pouco complicado, pois os jovens chegam da sociedade completamente destruídos, sem chão, sem rumo, pois as drogas tiram-lhe tudo até mesmo o uidado que deviam ter consigo mesmo. No entanto, na Fazenda da Esperança tem a oportunidade de reconquistar isso.
Isso acontece quase indirectamente, porque quando um jovem consegue contribuir para a manutenção ou reconstrução de uma casa ele sente-se capaz de conduzir harmoniosamente sua vida.

Visite o Blog: http://www.fazendadaesperancamacaldochao.blogspot.com/

segunda-feira, novembro 02, 2009

A Fazenda da Esperança está a nascer... no Maçal do Chão

Onde tudo começou

Fo nesta humildade terra onde tudo começou
Na igrejinha de Nossa senhora da Glória em que o frei chegou
Vivendo com simplicidade a dor, o Evangelho fez brotar
Uma semente de esperança, vários jovens passaram a sonhar

E no início tudo era apenas um sonho tão belo
mas no dia a dia formou-se com Deus um forte elo,
Naquele tempo muito poucos poderiam imaginar
que de pequenas obras algo de grandioso se iria formar.
.
Mas o caminho amigo não foi fácil não
Foi necessário muita luta, força e amor no coração.
As dificuldades surgiram e o sofrimento apareceu
Mas no final de tudo o amor prevaleceu.
Graças a Deus e a muita gente de boa vontade.
Todo este povo tem hoje uma nova realidade
De muita esperança pra ser feliz
Mas para isso muita gente morreu para o que quis.
.
Hoje o passado e o presente servem para nos mostrar
Que a vivência da palavra e a fé podem transformar
A vida de qualquer pessoa e fazer aparecer
Um novo mundo onde o que importa é o amor vencer.
.
E vários jovens passam a seguir essa filosofia
E um deles vive-a plenamente, exactamente numa esquina
Morrendo para a sua vontade, emprestendo o que era seu
Para outro jovem que com esse gesto percebeu
Que se o amor prevalece, algo de bom acontece
Como a fazenda da Esperança que até hoje ainda cresce (agora no MAÇAL DO CHÃO)
Tirando tantos das drogas e mostrando o amor de Deus
Dando um sentido à vida, pois esse sentido é Deus
por mais dificil que pareça ser uma situação
.
ACREDITE, ela tem uma solução
Olhe pra trás e veja como tudo aconteceu
De pequenes gesto de amor, uma nova realidade nasceu


CD "Devolver um alma ao mundo" - Fazenda da Esperança

VISITE O BLOG: http://fazendadaesperancamacaldochao.blogspot.com/

sábado, outubro 24, 2009

Notícias do Brasil: na Fazenda da Esperanca

A realidade supera as expectativas.


Está realmente a valer a pena, conhecer por dentro a Fazenda da Esperanca nas pedrinhas de Guaratinguetá - Brasil.


Num vale perdido das montanhas surgiu a esperanca para muitos jovens que já nao acreditavam que o retorno a vida seria possível.

A todo o momento somos confrontados com testemunhos de vida, que até levam um padre a chorar (dois!!!).

Este ambiente, esta alegria, esta convivencia saudável entre 150 jovens, este espírito de partilha custa a módica quantia de: ...

A Escuta da PALAVRA DE DEUS;

O esforco no TRABALHO;

A vida em COMUNIDADE.

Mantenha a esperanca por novas notícias... elas irao surgir



PS: O teclado é brasileiro, pelo que certos acentos nao existem.

sábado, outubro 10, 2009

"Quem pode então salvar-se?"

Ao ouvirem da boca de Jesus o que é necessário fazer para alcançar a vida eterna, os apóstolos concluem que a salvação não está ao alcance dos homens. Na verdade, a salvação não é algo que o homem possa conseguir só por si, apenas com o seu esforço. Pelo contrário, a salvação é, acima de tudo, um dom de Deus, só Deus pode conceder ao homem a vida eterna. Deus pode e quer. Por isso mesmo, Ele torna possível o que é impossível ao homem.
Deus torna possível, mas o homem tem de fazer a sua parte. A salvação tem de ser desejada e procurada pelo homem. O homem tem de aceitar e corresponder ao dom de Deus.
  • Num primeiro momento, e na resposta ao homem que O interpela, Jesus indica os mandamentos, enumerando aqueles que se referem ao próximo, como o caminho que conduz o homem à vida eterna.
  • Depois, lançando-lhe o desafio da perfeição, Jesus pede ao homem que abdique de todos os seus bens: “vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me”. O desprendimento não vale por si mesmo. Ele vale enquanto se traduz em partilha com os pobres. Além disso, a renúncia aos bens tem sentido na medida em que o homem fica mais livre para seguir Jesus.
Aquele homem sente-se perturbado com aquela exigência e considera que Jesus foi longe de mais. Ele, que antes tinha dito que cumpria os mandamentos desde a sua juventude, agora afasta-se de Jesus entristecido, porque tinha muitos bens e estava muito preso a eles.
  • Afinal, o homem não cumpria tão bem os mandamentos como ele pensava. Antes de mais, não cumpria o mandamento do amor a Deus, porque era aos bens e não a Deus que ele dava o primeiro lugar do seu coração e da sua vida. Depois, também não amava o seu próximo como devia, pois não estava disposto a partilhar com ele os seus bens.
  • Quem está agarrado aos bens materiais e confia excessivamente nas seguranças humanas, é alguém que também absolutiza as suas ideias e certezas, alguém que vive fechado na sua vida e vê tudo em função de si mesmo. Nestas circunstâncias, o homem perde a capacidade e a sensibilidade para amar o seu semelhante.

Contrariamente ao que pode aparecer à primeira vista, o “ser perfeito” não é algo mais para além do cumprimento dos mandamentos, mas sim a exigência de vivê-los de um modo radical. Não basta cumprir o “não” dos mandamentos: “não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não cometas fraude”. Amar não pode limitar-se ao não fazer mal às pessoas.
Pelo contrário, implica fazer algo de positivo por elas. Amar envolve e compromete necessariamente o coração do homem, passa por renunciar e a si mesmo e comunicar aos outros algo da sua vida e do que é.

“Quem pode então salvar-se?”
Tu estás efectivamente preocupado com isso?
Queres realmente salvar-te?
Para tal, estás disposto a dar a Deus a oportunidade de te salvar?
Mas antes: acreditas realmente na vida eterna?
Consegues sonhar para além dos limites do tempo e dos horizontes do mundo?
Vibras com a ideia de viver eternamente com Deus, usufruindo da plenitude da sua vida?
Aspiras a esse mundo de felicidade e fazes dele a meta última da tua caminhada existencial?

“Quem pode então salvar-se?”
Deus quer salvar-te. É o que Ele mais deseja para ti.
E tu queres que Ele te salve?
Mas, então, quem é que ocupa o centro do tua vida?
Qual é o tesouro no qual colocas o teu coração?
Qual é riqueza que tu persegues e o bem supremo pelo qual suspiras? És prisioneiro do teu egoísmo ou vives na liberdade do amor?
És suficientemente sábio para discernires aquilo que te proporciona uma felicidade ilusória e efémera daquilo que te garante uma felicidade consistente e eterna? E és suficiente-mente livre para escolheres a melhor parte?

Deixas que Deus te ame e, assim, te torne capaz de cumprires os seus mandamentos? Se não dás a Deus a liberdade de te amar, tiras-lhe a possibilidade de te salvar, pois só o amor de Deus salva o homem!
Para Deus tudo é possível e Deus quer fazer possível o que é impossível ao homem. Mas Deus, para o salvar, precisa do seu consentimento e da sua colaboração. E quando o homem se opõe a Deus, Deus fica impotente para fazer aquilo que mais pode e quer. Sim, o homem pode impedir Deus de o salvar!
Parece um paradoxo: Aquele que tudo pode, fica sem poder salvar o homem, porque o poder do egoísmo do homem pode anular, no seu caso pessoal, o poder do amor de Deus! Deus quer salvar o homem, mas o homem, exclusivamente por sua culpa, pode condenar-se!

“Que hei-de fazer?”
Tu já sabes o que deves fazer, qual a atitude que deves assumir perante Deus, qual o caminho que deves percorrer. Segue Jesus e sê coerente! Isto te basta!

HORÁRIOS - EUCARISTIA

Quinta - 18.00 h

Domingo - 9.15 h

HORÁRIOS DA CATEQUESE

2º e 3º Ano - Quarta - 17.45 h

4º Ano - Segunda - 17.45 h

5º Ano - Sexta - 16.00 (Centro Pastoral)

6º ao 8º ano - Quarta - 16.00 (Centro Pastoral)

quarta-feira, agosto 26, 2009

“Cuido que as festas são os momentos mais difíceis da vida dos párocos”

António José Oliveira Morais é o actual arcipreste de Gouveia e pároco de Gouveia, Folgosinho, Freixo da Serra, Melo e Nabais. Nasceu em Cativelos, a 12 de Fevereiro de 1941 e foi ordenado padre a 1 de Agosto de 1965.Faz parte da Comissão Diocesana de Música sacra e do Conselho Presbiteral e foi o Assistente Diocesano do Movimento Vida Ascendente.

A Guarda: Quem é António José Oliveira Morais?

António Morais: Quem sou eu para ser entrevistado? E ainda por cima para um jornal diocesano! Não sou nada. Há outros com melhores currículos do que eu, com melhores folhas de serviço, com mais sabedoria, com mais realizações e êxitos pastorais, com muito mais santidade. Por que há-de ser entrevistado um pobre padre normal que só diz coisas anormais? Tenho mesmo que responder?
Bom, sou uma pessoa normal, que nasceu em Cativelos a 12 de Fevereiro de 1941, filho de família pobre: o pai, inválido e chineleiro e a mãe com a mesma profissão do pai, mas com a tarefa de amanhar os poucos bocaditos de terra que possuíam e do qual tiravam o necessário para a alimentação. Sendo o mais velho de quatro irmãos – dois irmãos e duas imãs, entrou para o Seminário do Fundão em 1953 e ordenou-se a 1 de Agosto de 1965. O que sou como padre? Repito que sou um padre normalíssimo, com capacidades e incapacidades, luzes e sombras como os padres normais – os normais - porque há alguns que não são normais – que têm e fazem sempre muito mais que os normais. Mas é assim que eu sou e gosto de ser assim. Além do mais, é sabido que gosto de algumas coisas que podem parecer estranhas: música – continuo a estudar – pesca, montanha, folclore… Pois, Folclore. Trabalho com a Federação. Sei que sou criticado por causa disso. Não me causa abalo nenhum, porque quem critica não entende que é uma forma de me aproximar, primeiro da terra mãe e depois das pessoas. E sem terra mãe e sem pessoas é-se o quê? Além do mais, faz-se mais bem do que se pensa.

A Guarda: Que balanço faz da sua vida de Pároco?

António Morais: Com êxitos e fracassos, fui aprendendo que o essencial é semear. E isso faço insistentemente e em tudo onde meto a mão. Resultados da sementeira? Mesmo que me tenha custado, aprendi também que a colheita não será comigo. A mim compete semear e não colher. Não é fácil, mas é assim. Se me perguntarem se quero continuar a ser pároco, respondo que não me vejo como padre, sem ser pároco, nem que seja de uma só paróquia com meia dúzia de idosos, embora me dê gana, por vezes, de pegar na trouxa e ir embora, sobretudo quando se quer e ninguém responde. Está-se como presença que acolhe e serve. Posso nada mais fazer, mas isso faço. Aliás aprendi assim do Mestre.
Se voltasse ao princípio, mesmo com tudo o que de muito mau me aconteceu, recomeçaria, sem a menor hesitação.

A Guarda: Como vê o envolvimento dos leigos na vida da Paróquia?

António Morais: O envolvimento dos leigos é escasso. Há todo um peso de história passada do qual é muito difícil libertar as pessoas. O leigo que ouve, cala, não participa porque tem medo, o leigo agarrado a práticas do passado e que olha desconfiado para um modo novo de fazer as coisas, é o normal. É essencial que o leigo esteja envolvido nas paróquias. Sem eles não há pastoral que valha. Como eu os envolvi? Fortemente na Caritas, na Liturgia e na Catequese de Adultos. Começo a envolvê-los na preparação de Baptismos. Ajudo, estou atento, mas têm toda a liberdade. Ou são responsáveis ou não são. Considero isso essencial. Gostava de trabalhar mais com eles, mas torna-se cada vez mais difícil. O envolvimento na Catequese é mais difícil. Cada vez se torna mais difícil recrutar catequistas. Na Catequese de adultos, partilho o que sei e posso dar, sem pressões nem moralismos balofos. Aliás o que pretendo com a Catequese de adultos que iniciei antes de 2000, é que eles se tornem verdadeiramente adultos e livres como cristãos, que caminhem pelo seu pé, sem necessidade contínua de muletas. Não partilho de uma certa opinião que anda por aí veiculada: “O leigo, por si mesmo não tem capacidade de encontrar a verdade. Precisa ser dirigido”. Isto vem num livrinho que é dirigido a leigos e que se chama Caminho. Há também um grupo comprometido na Vida Ascendente, que faz também um trabalho interessante de catequese de adultos.

A Guarda: As Festas religiosas são, ou não, um momento importante na vida das paróquias?

António Morais: As festas religiosas são um momento falsamente importante na vida cristã das paróquias. Tudo se faz à sombra da “santa” ou do “santo”. Mas do santo só se faz caso na medida em que se pode usar para poder obter algum dinheiro dos festeiros e turistas que vão à festa, ou para através do “negócio” da promessa, obter dele(a), algum favor. Depois, não se quer saber mais dele. Com isto e outras coisas, por mais que se tente, não se consegue destruir o desvirtuamento da festa. Ou seja. O que na festa cristã é mais importante para o povo é a procissão – procissões. A missa até pode não existir, contanto que a procissão se faça. Depois as promessas. É muito difícil lutar contra a dispersão. A concentração na Eucaristia é de muito pouca gente. Muita da que lá vai é para cumprir promessas e não por convicção de fé, ou pela Eucaristia. A grande preocupação são os andores e a procissão. O resto pouco importa. A agravar a situação há a nova realidade da festa. Nas paróquias rurais, o que é diversão, não é tanto feito pelos habitantes da terra, mas pelos que vão de fora, o que vira tudo do avesso, até porque a diversão nada tem que ver com a tradição. É diversão importada e de muito pouca qualidade. No momento, cuido que as festas são os momentos mais difíceis da vida dos párocos.

A Guarda: Que análise faz sobre a falta de padres na Diocese da Guarda?

António Morais: Não é fácil responder. Eu vejo o problema com algumas interrogações: 1 - Que tipo de padre se quer para a Diocese? Um padre regressado ao ante-Vaticano II com ares de poder, prestígio, estranhos atafais e subserviências, ou um padre que se libertou da folhada inútil que só o afasta das pessoas e capaz de caminhar pelo seu pé, sem subserviências e aberto ao serviço, tal como Jesus Cristo o ensinou? Quando a seguir ao Vaticano II se mudou a equipa do Seminário, para que a nova equipa pudesse limpar os miasmas do mau pensamento e da má orientação que a equipa cessante lá deixara, o resultado foram 12 –(14) anos sem ordenações. Suspeito que com o que está a acontecer, venhamos a cair num novo interregno sem padres. O futuro dirá.
2- A falta de padres aflige e sobrecarrega os que ainda se vão aguentando, além de os esgotar, até porque se vão criando exigências novas a que se chamam novas formas de pastoral. São mesmo? Não creio, até porque elas não têm em conta a crescente desertificação das comunidades rurais.
3 – Talvez seja bom que ainda escasseiem mais os padres, para que as comunidades cristãs se convençam que têm mesmo que se assumir como comunidades verdadeiramente responsáveis e tomem conta de si mesmas.
Acho que não tem que se ter medo de que as rédeas nos fujam das mãos. É mesmo urgente que algumas rédeas nos fujam mesmo das mãos.
Fonte: A Guarda